quarta-feira, maio 23, 2007

Mudar o mundo



A primeira recordação que tenho da escrita data da terceira classe, já lá vão – meu Deus! – quase trinta anos. Não era um miúdo tímido, mas reservado o suficiente para preferir passar horas agarrado aos livros e às revistas de banda desenhada, ao invés de esfolar as sapatilhas no campo de terra batida, a dar pontapés na bola. Agora vejo o Cristiano Ronaldo na televisão e penso se terá sido uma boa opção, mas foram boas horas, sentado no sofá, deitado no chão, estendido na cama, a ler até os cotovelos doerem, a devorar palavras como se não houvesse amanhã. Creio ser daí que me nasceu esta vontade incontrolável de regurgitar textos infindos: ainda estou a deitar cá para fora todos os milhões de palavras que fui digerindo ao longo da vida. Sem dores nas canelas e sem um tostão no bolso.

Esta bulimia literária não é doença recente; desde que descobri os sonhos que se escondem na palavra escrita, que tento dar-lhes forma no papel, e não foram poucas as vezes que me debati e suei, a espernear interiormente, nas tentativas de esculpir uma amostra de ideia, um conceito pungente, em algo que possa ser lançado ao mundo, aos berros como um recém nascido zangado que não recebe atenção. Mudar o mundo? Não. Só quero fazer um pouco de barulho.

Na terceira classe a professora mandou-nos escrever uma redacção sobre o último dia de aulas. Estávamos no início do Verão, e os dias aqueciam, soalheiros, a prever incêndios e mergulhos no rio Paiva. Dos campos ao redor da vila levantava-se o cheiro da natureza que sente o ar que começa a abafar de calor, e os zumbidos da bicharada eram chamamentos que nos punham a todos, prisioneiros na frescura austera da escola primária, irrequietos nos assentos, a ansiar pela vida ao ar livre debaixo de um céu sem nuvens.

Escrever redacções era a minha actividade favorita, na idade da inocência, em contraponto directo ao desagrado que sentia por tudo o que estivesse envolvido com números e contas. Assim, aplicava-me particularmente e compensava as desgraças matemáticas com louvores escolares que celebravam as vitórias do português. Naquele dia escrevi um texto elaborado (pelo menos achava que sim) sobre o meu último dia de aulas, exactamente no momento em que vejo as minhas notas afixadas no quadro de cortiça, e saio a correr da escola, acompanhado do meu inseparável sidekick, o cão Farrusco, que nunca existiu a não ser na minha cabeça e naquela folha do caderno que, a existir, deve estar bem amarelecida e com tinta a desbotar. O Farrusco era um animal prodigiosamente interessante, aparte o facto de ser um produto da imaginação juvenil, pois compreendia tudo o que lhe dizia, tal e qual o Tim dos Cinco.

Enfim. O motivo pelo qual nunca esqueci esta redacção em particular – não foi a primeira ou a última – deve-se a uma frase que rabisquei cuidadosamente na folha, com o orgulho do escritor consagrado, onde comentava com o Farrusco que agora é que era, com o começo das férias já podíamos brincar aos piratas no rio, e fazer um monte de coisas divertidas. Um monte de coisas divertidas. O Farrusco respondia com o latido é-verdade-tens-toda-a-razão-do-que-é-que-estamos-à-espera?, enquanto galgava as ruas empedradas da vila em passada acelerada, ao meu lado.

Um monte de coisas divertidas. Quando o caderno voltou da caneta inquisidora da professora, mulher pequena vestida de negro que ocultava um coração frio sob a aparência de Vóvó Donalda, as palavras “monte de” traziam um grosso risco vermelho a todo o comprimento, e por cima, como se tivessem morrido e lhes pairasse a alma acima do corpo, estava a substituta “muitas”, acompanhada do comentário que não se faziam montes de coisas, mas sim muitas coisas. Que me lembre, também foi nesse momento que senti pela primeira vez a pontada amarga da injustiça, a ferroar o coração com a marca da indignação: Um monte? Claro que era um monte! Se o personagem da história era eu, é lógico que falasse “um monte” e não “muitas”, então se eu dizia “um monte” um monte de vezes, ora que merda. Riscar a minha expressão cuidadosamente colocada e fiel ao espírito da personagem, colocando em seu lugar uma substituta de quinta categoria, sem qualquer respeito ou capacidade de compreensão da intenção do autor, era um flagrante atentado à liberdade criativa, uma tentativa brutal de agrilhoar a minha voz, de moldar as minhas palavras aos modelos impostos pela sociedade.

Não o exprimi em tantas palavras, mas a verdade e que fiquei mesmo chateado, e agora nem sei se o facto de ser um defensor pétreo da liberdade sob qualquer forma de expressão artística não se deve a esse traço vermelho que manchou uma página imaculada. Seria ridículo se assim fosse, heh, ou talvez não. De mais a mais a redacção ainda trazia uns rabisquitos encarnados, fruto do excesso de vírgulas. Sempre foram o meu fraco, as vírgulas.

Deixemos o Farrusco para trás, a correr com um rapazinho franzino que só pensa em empunhar uma espada e descobrir tesouros enterrados, e avancemos mais ou menos dez anos. Nessa altura estava no Brasil, e de pirata sanguinário passei a adolescente inseguro, eternamente fascinado com as formas femininas que esticavam e repuxavam t-shirts de algodão e calças jeans de corte piroso (lembrem-se, eram os anos oitenta). Fiz lá o décimo primeiro e décimo segundo anos do secundário (os equivalentes do ensino português, o nome era diferente), só com aulas de manhã; antes de apanhar o ônibus para casa passava sempre na Biblioteca de Suzano (estado de São Paulo) e trazia um ou dois livros que me acompanhavam nas tardes tropicais. Ainda tenho um cartão dessa biblioteca, e sorrio sempre que vejo as datas que a funcionária ia registando: todos os dias entregava livros, e todos os dias trazia livros. Nas primeiras vezes era olhado com alguma desconfiança, e quase conseguia ver os mecanismos a rodarem atrás dos olhos inquiridores (mas o que é que ele faz com os livros? Será algum fetiche?).

Quando fiz dezoito anos recebi uma máquina de escrever dos meus pais, a pedido, e não imaginam a satisfação que senti quando destravei pela primeira vez as patilhas da caixa em formato de mala de viagem, de cor verde-hospital, e fiz deslizar cuidadosamente o animal metálico de teclas reluzentes para o mundo. Foi o prazer de quem encontra um destino.

Passei horas debruçado no martelar das teclas, a escutar o som característico, tão agradável, tec tec tec, das palavras a nascerem. Os computadores e teclados são muito bonitos e práticos, e sem dúvida que a tecla backspace é uma bênção que brotou de uma nascente do céu, mas também perdemos o encanto daquele tec tec tec, o ideal romântico dos escritores em quartos escuros, com uma garrafa de gin ao lado e uma mulher nua adormecida na cama, a fazerem barulho por entre as golfadas de fumo do cigarro esquecido no cinzeiro transbordante. A fazerem barulho? Não. A mudarem o mundo.

O primeiro texto que escrevi na máquina era uma imitação insossa dos romances policiais que não me cansava de ler: contava a história de um policia à paisana que vai a um bar de aspecto sujo e decadente, e descobre que o serial killer, ao estilo do Jack o Estripador, que anda a deixar um rastro de sangue na cidade, escolhe as ruas alfabeticamente para cometer os seus assassinatos. Depois de sair do bar, que tive o cuidado de descrever exaustivamente em todos os ínfimos pormenores, o polícia dirige-se à rua onde deduziu que ocorreria o próximo crime, e acaba deitado numa poça do próprio sangue, emboscado pelo facínora. Afinal era o próximo da lista, reparem no delicado entretecer de pistas até à surpresa final. Ai ai, que amador…

Depois escrevi nada mais nada menos do que quatro livros. Sim, quatro, qual é o espanto? O primeiro nasceu de uma inspiração momentânea: estava quase a adormecer e tive de agarrar no papel e caneta, e passar a noite toda acordado: tratava-se da história de Sardasan no formato de poemas curtos, um ser/rapaz/animal/qualquer coisa, que vive numa pedra no meio de um lago e um dia recebe a visita de um bicho inidentificável, que o informa da existência do Amor e da Felicidade. O nome Sardasan apareceu-me num sonho, e o personagem embarca numa jornada interior e exterior, onde conhece variados animais falantes, até encontrar por fim o Amor e a Felicidade. Não se riam, que esse tipo de romantismo lamechas ainda cá anda, mais ou menos camuflado, embora já não tenha a desculpa dos meus dezassete anos para o justificar. O título era “Não conheço aqueles que se lembram da Felicidade” (também apareceu num sonho).

Os dois livros seguintes foram as sequelas da história de Sardasan, e pela primeira vez tive o mérito (?) de me dizerem que demonstrei o que era o verdadeiro amor (a segunda foi recentemente). Foi o meu amigo Fernando Yujiro Sumiya, que, juntamente com o meu grande amigo Renato Matsui Pisciotta, eram as cobaias sofredoras a quem eu submetia as minhas barbáries literárias. Não os vejo há mais de quinze anos, e tenho saudades deles.

O quarto livro foi um projecto mais ambicioso: uma história em prosa, com capítulos e tudo, na melhor tradição da literatura de ficção científica. Dois soldados inimigos são colocados num planeta deserto por uma raça de alienígenas, para lutarem até à morte, recaindo sobre eles o destino da humanidade. Fantástico, na verdade, e é mesmo uma pena que fosse uma cópia descarada (mas não plágio) de uma história que tinha lido há pouco tempo nas Selecções do Readers Digest.

Escrevi outros contos posteriormente, e lamento ter perdido todas as cópias que tinha dessas tentativas pueris de me lançar na escrita. O Renato ficou com algumas páginas, e de tempos a tempos lá o chateio para digitalizar e me mandar, mas até agora as minhas surtidas ainda não tiveram efeito naquela mente perversa. É pena, gostava mesmo de me submerger na nostalgia de ler textos que já não recordo ter escrito.

Quando vim para Portugal trouxe a máquina de escrever, e o último conto que registei nas teclas musicais foi a história futurista de umas pessoas que vivem num pântano repleto de rãs, depois da hecatombe humana, sobrevivendo a custo, escondidos das máquinas que são os novos senhores do mundo. Depois fui para o Exército, e passaram-se anos – pontuados por textos ocasionais – até encontrar a Internet, os fóruns, e as palavras, novamente. Se calhar nunca as perdi, e se fossem seres vivos, as palavras, imagino todos aqueles anos em que estiveram semi-adormecidas, talvez pacientemente emboscadas nos recessos do subconsciente, à espera da oportunidade de atacar, de viver outra vez.

Dos fóruns passei para os blogs, algum tempo depois da moda que acometeu tudo quanto é internauta com algo (ou nada) para dizer, que nunca fui pessoa de embarcar à primeira nos desvarios da humanidade. Passada que foi a explosão inicial, resolvi-me a criar este espaço, sem expectativas de audiência, sem sonhos de glória e fama e fortuna. Pelo menos nisso sou realista, ora bolas. E espanto-me com as pessoas que já conheci, com aquilo que já disse, com o barulho que já fiz, e como mudei o mundo, o meu mundo, com as minhas palavras.

Como é possível, passado um ano, que ainda exista este monstro que constantemente me atormenta com pedidos de posts, esta coisa que faz um ano hoje, e ainda berra como recém-nascido que quer mamar um biberão de palavras, todos os dias. Faço-o passar tanta fome, eu sei, mas quando me decidi a criar o Passengers foi com o acordo prévio de que seria atípico dos milhares de blogs actualizados diariamente com parágrafos isolados, imagens, filmes, reflexões momentâneas certeiras ou mordazes, pequenos episódios do dia a dia. Não, meus amigos e amigas, aqui escreve-se ao quilo, com a eficácia de um comprimido para dormir, e por vezes com a inépcia de um macaco que escreve à máquina na esperança de criar um Shakespeare.

Passou um ano, e ainda cá estou, e passaram-se muitos anos, e ainda cá estou. Pirata sem perna de pau, adolescente frustrado que sonha com o seu nome em capas de papel couché, soldado cavaleiro aprumado que sonha longe da parada, civil apaixonado com dores nas costas que se estica para o mundo através de um monitor, temos todos ainda muito mais para contar, pelo que pedimos que verifiquem se ainda têm o vosso bilhete na mão, e se encostem nos assentos. A viagem vai continuar.

Montes de coisas para contar. Este macaco tem montes de coisas para contar, ainda. Montes. Montes. Montes.


PS – Aproveito para dar os parabéns à Patrícia, que vive dentro do fogo também há exactamente um ano. O espaço dela é feito de luz e intimidade, ao contrário do meu, que mascara e ilude nas sombras, por entre as verdades ocasionais. Que continues por muitos (montes de) anos, nesta tarefa de macacos, e que a tua convicção, força, e amor, se mantenham inabaláveis.

23 comentários:

Patrícia disse...

Tenho montes de vontade de ler as tuas coisas contadas. ;)

Obrigada, querido gémeo-de-blog. Beijo grande e parabéns! :)

Flávio disse...

Parabéns pelo aninho, que seja o primeiro de muitos.

E já agora, para quando o livro?

Sandman disse...

Patrícia, descobri que esta mensagem que escreveste não foi parar à conta de correio do Blog, algo deveras estranho, pois a mensagem seguinte do Flávio não deu qualquer problema. Espero que isto não tenha acontecido antes, e desde já peço desculpas se porventura deixei de responder a alguma mensagem tua ou de outra pessoa, por causa deste problema.

Passei por um período frenético de muito trabalho e muito cansaço, em que passava mais de 10 horas agarrado ao computador da empresa, e chegava a casa completamente incapaz de ligar sequer este calhambeque que tenho no meu quarto, mas julgo que as coisas estão lentamente a acalmar, a estabilizar. Haverá portanto muitas coisas contadas a sair com a (ir)regularidade do costume.

Beijos, que sonhos doces te encontrem.

Sandman disse...

Flávio, adorei as considerações que teceste sobre o Borat, no teu espaço (apesar de ainda não ter visto o filme), tão peculiares na tua maneira profunda e intelectual de abordar os temas. Espero também ler mais participações no Cine 7, blog que descobri graças a ti.

Quanto ao livro, digamos que estou a amadurecer a escrita, ao mesmo tempo que preparo uma série de contos para apresentar às editoras. O blog serve para afinar a capacidade de contar histórias, quantas vezes escritas no sabor do momento, sem preparação, e permite-me disciplinar o método. Para além disso, é um meio que se presta a experimentalismos, algo que gosto muito de fazer.

Terei livro, portanto, e quero atacar em 2008 o mais tardar. Sereis os primeiros a sabê-lo, e quiçá os primeiros a lê-lo, na forma de posts em bruto.

Um grande abraço.

Flávio disse...

«ao mesmo tempo que preparo uma série de contos para apresentar às editoras»

Excelentes notícias, Amigo sandman, e felicidades para mais este projecto. Não conheço a fundo o mercado editorial da nossa terra, mas sei o suficiente para ter uma impressão péssima. Os editores portugueses não arriscam, são temerosos, não investem no talento jovem. Conheço muitos escritores jovens e excelentes que aguardam há anos por uma publicação (até o Fernando Pessoa, no seu tempo, só publicou um livro!!). Espero, que no teu caso, as coisas corram melhor e com mais justiça, estou certo que sim. felicidades!

mj disse...

Vim aqui parar já não sei como...qualquer coisa a ver com o Neil Gaiman acho...tenho gostado muito da estadia :)

Anónimo disse...

este blog não tem nada de jeito.
é pra não voltar.
suGestao: melhorar!

Marta disse...

E a mistura de "miúda que devora tudo quanto tem letras + miúda que por acaso adora escrever e tem ideias mesmo fixes + miúda que esfola os joelhos, cai da bicicleta, contrói todos os verões uma barraca na árvore, cria grupos de detectives, monta carrinhos de rolamentos mas esquece os travões + esfoladelas, arranhões, calças rasgadas, baínhas de horrorosas saias de bombazine rasgadas de propósito para não te de as usar, um número humilhante de batidelas com a cabeça, mas sem partir NUNCA um único ossinho"? O que é que faço com isto, diz-me tu? É que, tem dias, acho que ainda não me passou...

Marta disse...

PS: Também, “ganhei” a minha máquina de escrever aos 18 anos.
Ganhei, pois!
Só a quantidade de gente maluca que tive de aturar!
Mas eu mentalizava-me: “É por uma boa causa, Marta! Olha ela a olhar para ti da montra! Está a chamar-te!”
Assim que me pagaram… Acho que nunca voei tão depressa!! Preta, tão linda… os seus barulhinhos típicos pareciam música – as teclas, a mudança de linha, a campainha…
Essa do tac-tac-tac é que abriu as portas dos céus aos meus avós, de certeza! Eu tinha o terrível hábito de não largar a máquina… nem de noite.
Agora sou mais civilizada e uso o computador (até porque posso meter a minha música, enfiar os fones nas orelhas e esquecer tudo à volta… menos o gato aninhado no colo… Ando a ouvir os 30 Seconds to Mars. Aconselho! Tenho andado maluca com o álbum “A Beautiful lie”! ), mas continuo a confiar cegamente no meu caderno de apontamentos e na minha esferográfica.

Só tinha lido o texto na diagonal. Tive de o trazer para casa para ser lido “como deve ser”. É uma das desvantagens da minha limitada meia hora num computador público…

É engraçado que, à medida que os parágrafos iam passando, ia lembrando também as minhas fases (não tenho nenhuma no Brasil, mas as outras não são muito diferentes). Fiquei mais sossegada (só por fora) depois dos 7 anos, quando comecei a usar óculos e os meus “amigos” já não queriam andar comigo. Não me importei. Teria dado em rufia, que sempre é uma coisa aborrecida na adolescência, quando acabamos num reformatório…

A propósito, era capaz de ter mandado a tua professora para um sítio muito feio, tipo Canal Caveira, ou isso. Ou não.
O que é certo é que logo numa das primeiras semanas da primeira classe fiquei de castigo até à noite. Acusação: ser teimosa. Sentença: muito culpada… Mas não pedi desculpa. Da outra coisa de que me acusavam não me considerava culpada, por isso não havia razão para pedir desculpa a ninguém. Derrotei o sistema pelo cansaço…

E sabes a melhor: também tinha MONTES de ideias e fazia MONTES de coisas giras (e um bocadinho perigosas, vejo agora…) nas minhas férias! Sempre fui fã de piratas… Se tivesses passado alguma vez férias em Santa Cruz percebias porquê.

lusce disse...

Queria um texto novo como presente de Natal*

Sandman disse...

Desculpa a demora na resposta, Marta, estive sem computador durante bastante tempo, fruto de uma avaria catastrófica. Já o consegui a modos que remediar, com a ajuda de alguns presentes de aniversário, em fins de Novembro, mas só agora tive tempo e paciência para colocar esta máquina novamente operacional.

Ao ler o que respondeste, fiquei quase com a sensação que estava a ver uma versão feminina de mim. Essa certeza que trazemos na infância, mascarada de "birra" ou "teimosia", a persistência em não estarmos dispostos a aceitar compromissos, bueno, faz-nos muito valentes, ou muito casmurros. Ou melhor, não é que seja casmurros, tenho é partes de mim que o são, até às últimas consequências.... as histórias que poderia contar... talvez um dia em que esteja em modo mais autobiográfico (como quando estava quando escrevi o "Mudar o mundo").

Isto tem andado calmo, por estas bandas, mas vai mudar.

Sandman disse...

Não é que esteja zangado com a escrita, Lusce, mas embarquei numa viagem profissional que me tem consumido até à medula, e que me deixa derreado ao fim do dia, quando a noite já deixou de espreitar e avança decidida sobre o mundo. Tenho vontade de escrever, mas o cansaço não me deixa perceber o quê.

Como disse há pouco à Marta, estive sem "máquina de escrever" até recentemente, e peço desculpa por não poder atender este teu pedido a tempo de o entregar mascarado de presente natalício. Prometo, no entanto, que o próximo texto vai directamente escrito para ti, e que versará o nosso tema favorito: sonhos.

Beijos e Bom Natal a todos e todas.

lusce disse...

Que este novo ano que vai entrar te traga muitas felicidades no trabalho e te deixe um tempinho de sobra para sonhar.
Boas festas*

Marta disse...

Bolas... Escorpião.
É do piorio.

Mas quase tão teimoso quanto Carneiro ;)

Boa escrita. Espero por ela em breve.

Flávio disse...

«embarquei numa viagem profissional que me tem consumido até à medula»

Same here. Desde que comecei a trabalhar a tempo inteiro no início de Janeiro, não consegui escrever uma linha que fosse, nem sequer para o blogue.

Carla Dias disse...

Olá.

Tropecei num texto teu, assim por acaso enquanto navegava pela net à procura de coisas acerca do meu livro de mesa de cabeceira... o "Valsa do Adeus".
Sim, fantástico... e fiquei fascinada com o teu texto, parabéns!

Patrícia disse...

Still there? :)

Marta disse...

Então, quando é que voltas?

Marta disse...

Já está na hora.

Patrícia disse...

Parabéns ao bloguinho, nesta data querida (com um dia de atraso)... :)


Que toda essa dedicação ao mundo extra-blog te traga sucesso e felidade(s) sem fim, Sandman.

Beijo

lusce disse...

olha, desapareceste.... hum...ganhaste o euromilhões, não? ;)

Marta disse...

Para que fique claro: de vez em quando venho aqui espreitar. Ainda tenho esperança que voltes. Até lá, sempre se podem reler os textos...

Patrícia disse...

Este será um grande ano para ti, tenho a certeza. Para alguns dos homens a quem mais desejei felicidade, este parece ser o ano certo, o ano que traz consigo tudo o que merecem. Que assim seja.

Beijo grande, Sandman